Somos todos porquês.

O Ensino Médio sempre me foi indiferente. Boas lembranças, bons amigos, bons professores. Muitas dúvidas, algumas decepções, cansaço. Na balança equilibrava. Isso até eu assistir '13 Reasons Why'. Graças à série, pude repensar esses três anos - sob outros olhos.
Não sei se foi por nunca ter mudado de escola ou sofrido repressões. Talvez seja porque a cadeia social das 'High Schools' é mais massacrante que a realidade do Ensino Médio daqui. Mas, apesar de entender os conceitos de bullying, depressão e abusos, eu nunca tinha parado para pensar nas pequenas atitudes, no que se torna a bola de neve. No que nos faz pessoas boas e ao mesmo tempo porquês.
Sempre me considerei uma pessoa boa. Ou pelo menos me esforcei para isso. Sempre tentei ajudar as pessoas que estavam com problemas. Ouvir, aconselhar. Então, eu poderia pensar "nunca magoei ninguém, nunca agredi ninguém". Depois desses treze episódios, não posso mais pensar assim.
Hoje, entendo que, se não falei palavras ruins, pelo menos uma vez eu as propaguei. Mais de uma vez. Acontece, toda vez que alguém conta da menina que bebe nas festas até desmaiar. Ou que tem suas fotos íntimas publicadas. Ou que ela deixa ser tocada por um menino, e assim fica taxada e fácil. Ou quando ela beija muitos. Ou muitas. Ou ninguém. E o mesmo, inversamente, com os meninos. (Nem sempre com a mesma repercussão.)
Nós julgamos e somos cruéis. Somos jovens e, muitas vezes, não temos dimensão da dor que podemos causar. Da dor que já causamos. Sem dar spoilers, nem Hannah tinha. Ela foi machucada, de inúmeras maneiras. Mas ela também machucou, sem perceber. Ela não viu que, como jovens impulsivos, alguns a magoaram tentando mostrar que gostavam dela. Ela não teve como ver.
Aqui, não estou defendendo o que nenhum deles fez. Ou culpando a vítima. Mas Hannah foi um porquê, pelo menos para um deles. Todos nós somos um porquê. Nós menosprezamos, criticamos, zoamos as vidas alheias - sem ao menos saber 15% sobre essas mesmas vidas. 
Me pergunto, se vamos reproduzir esse ódio para sempre. Eu mesma, durante meu Ensino Médio, deixei de fazer coisas que queria por medo do julgamento dos outros. Desde que entrei pra faculdade, sinto que evolui (pouco, mas evolui). Tive a oportunidade de rever meus preconceitos, aceitar melhor as diferenças. Talvez seja a influência de uma metrópole ou de uma instituição com valores diferentes da minha antiga escola.
Mesmo me posicionando contra desigualdades e me revoltando com preconceitos, percebo que ainda cometo alguns deslizes. Quando volto para minha cidade, vejo que estamos parados no tempo. O lugar que todo mundo se conhece é também o lugar que ninguém esquece. Ao descrever uma pessoa, descrevemos os seus 'erros'. O que foi fofoca é mais fácil de lembrar, né?
Passados dois, três, cinco anos. Ainda lembramos das escolhas feitas pelos outros. Escolhas que só interessam a eles. Lembramos e criticamos. E também somos atingidos pelos outros, também sofremos quietos. Mas continuamos o ciclo vicioso. Assim, nos mantemos como um porquê. Quem sabe se um dia deixaremos de ser.


Hoje consegui parar para pensar nos últimos dias,

Não que esteja sendo mais fácil. Duas pessoas não saem da minha cabeça.

Uma delas, infelizmente, se foi. Gostaria de ter tido a oportunidade de conhecê-la melhor. Foram tantos os amigos que ela deixou para trás. Das vezes que a encontrei, ela sempre foi gentil comigo. Sempre uma pessoa alegre, com sorriso no rosto. 

Uma vez ela chorou. Foi quando, na conversa mais profunda que tivemos, ela contou que estava com saudade de casa, da vida em Barra Mansa. Na época, ela fazia curso pré-vestibular em outra cidade e estava morando lá. Me identifiquei, pois sinto falta da cidade, das pessoas de todo dia e assim conversamos, no meio de uma festa, por um bom tempo. No fim da conversa, ela citou Deus, que tudo estava nas mãos dele. 

Talvez, isso seja a única coisa que me conforta: saber que ela tinha fé. Ver que uma pessoa tão jovem e com tantos sonhos se foi assim, sem aviso e sem explicação, é difícil. Mas vou sempre colocá-la em minhas orações e lembrar da força que ela me mostrou ter. Só consigo pedir, para que ela esteja bem, ao lado de Deus e continue sendo um anjo para os que ficaram. E que lá de cima ela consiga ver, por tantos corações que ela tocou, que sua jornada não foi em vão.

Sobre a outra pessoa, eu não tenho nem o que falar. Quando soube que ele estava no hospital, a primeira coisa que fiz foi ir pra lá. E não consegui sair até que tivesse ido para casa. Vi uma pessoa intacta por fora, mas despedaçada por dentro.

Se eu pudesse colava, um a um, todos os pedaços. Para vê-lo de novo sorrindo - tanto pela boca quanto pelos olhos. Mas algumas dores, só o tempo cura. Eu espero que o tempo mostre a ele, que foi assim que era para ser, que não há nada que ele pudesse fazer para mudar os rumos do destino. 

Só sei, que esse acidente, essa fatalidade ainda nos vai assombrar por um tempo. Quando paro para refletir, penso em todas as coisas que ainda quero fazer e na incerteza da vida. Agradeço a Deus, pela nova chance que os que ficaram estão tendo. 

Agradeço também pela oportunidade de ter mostrado a ele o quão importante ele é para mim. Sábado descobri que ainda não sei viver em um mundo onde ele não está. Eu me odiaria se a última coisa que eu tivesse dito para ele fosse o que eu disse. Então, tudo o que você pode fazer hoje é mostrar para as pessoas que ama, o quanto as ama. 

E façam isso, por favor. Pelos que ficaram e têm que lidar com a dor. Por ela, que se foi, mas deixou aqui amor.

Abre Aspas: Júlia Faber - Sorriso leve

(esse poema é de uma amiga, e todo mundo deveria parar uns minutinhos e ler as outras publicações no blog dela: Por Outros Planetas)

Foto: Júlia Faber

Quando a vejo com seu enorme sorriso 
Sinto que meus pés perdem o seu rumo
Uma sensação que não me acostumo 
Olho pro céu, já nem sei mais onde piso.
Flutuamos no céus de brigadeiro. 
Mas que beleza, é um tiro certeiro! 
E a sua leveza, me faz tão bem, 
Menina, não há como viver sem 
Essa risada nos dias solares,
Quer fazer tão bem quanto novos ares.

- Júlia Faber, Sorriso Leve, 2016. (Blog: Por Outros Planetas)

6 metas para 2016!

Feliz 2016! Agora que esse feriado prolongado passou e o ano começou de verdade, resolvi minhas metas a cumprir nesses próximos 12 meses. Não é nada absurdo, chega de metas imbatíveis, só algumas coisas que eu quero fazer antes que 2017 bata na minha porta dizendo "oi".

Foto retirada do Weheartit de Beatriz de Aguiar
  • Voltar pro Pilates: ano passado, com a mudança, nova rotina e novos gastos, acabei deixando o Pilates de lado. No fim até me matriculei em uma academia que era super legal mas, tirando a única aula de zumba que fui - e eu gostei!, sei que aquilo é tão não eu. O Pilates pode ser mais caro, mas ele melhora meus problemas de coluna e é um exercício que eu faço com prazer, então, assim que minhas aulas começarem vou escolher um local e fazer o máximo de aulas semanais que eu puder, porque é muito bom, eu realmente recomendo.
  • Tirar a carteira de motorista: eu odeio ter que pedir pros meus pais me levarem aos lugares. E, como sempre gostei da minha independência, acho que ter carteira - mesmo que eu não tenha um carro no Rio - é importante. Assim, quando eu voltar pra casa posso sair sempre que quiser e quando meus pais forem me visitar eu posso me acostumar com o trânsito da cidade. Essa meta já tá meio caminho andando: me matriculei na auto e agora vou aproveitar as férias pra adiantar o máximo de aulas possíveis.
  • Aprender a cozinhar melhor: bom, na cozinha eu não passo fome - até porque o estoque de miojo da minha dispensa é reforçado - mas, como neta de cozinheira italiana, eu deveria me esforçar um pouco mais, para comer de forma mais saudável e parar um pouco de circular na praça de alimentação do shopping.
  • Fazer minha primeira tatuagem: sempre gostei de tatuagens, mas nunca senti urgência em fazer uma e eu levei um ano para fazer o segundo furo da orelha com medo da dor - que não foi nada demais. Eu acho que criar coragem para fazer as coisas que eu quero é um lema importante para esse ano, então só falta o $$$ para eu sair correndo até um estúdio.
  • Postar Regularmente: promessa antiga, eu sei. Mas acho que se eu não começar a ter regularidade e disciplina com o blog, eu nunca vou conquistar isso profissionalmente. Enfim, me empenharei nisso.
  • Ser organizada (principalmente na faculdade): Sempre tive notas boas mas, em questão de organização nos estudos sou um terror: gravo muito o que a professora fala e acabo deixando frases e matérias incompletas. Para o 3º período já quero preparar uma agenda e um planner (não só pra faculdade, pra vida também), e manter a matéria em dia.
Bom, esse é o primeiro post que eu faço em muito tempo e acabei lembrando que não é difícil, só tenho que parar de adiar as coisas, no blog e na vida. Minhas metas são basicamente sobre isso e espero realmente conseguir cumprir cada uma. E as suas metas, quais são? Um bom ano para você e espero que volte muito no blog em 2016. 
                                                                                                                      Feliz Ano Novo, Giulia.