500 dias (sem) você

18:45

Dear Clyde,

Lembra da última carta que te mostrei?
11/10/2013. Quando ela foi escrita.
"Hora de Dizer Até Logo". O título.
Mas você já tinha me dito 'até logo' 297 dias antes, e saindo daquele táxi, naquele dia, eu sabia que não te veria tão logo assim.
Depois dessa carta, um ano se passou, muita coisa mudou.
Há um ano eu estava desistindo de você, abrindo mão mesmo. Eu achei que era de verdade, pelo visto não...
Não demorou muito, na verdade, meros 16 dias. No domingo do ENEM de 2013. Depois da prova, fui com o pessoal na igreja. E quando estava entrando em uma lateral da Matriz, você entrou pela outra.
A prova já tinha sido bastante cansativa e não estava preparada para te ver naquele dia. O Evangelho daquele dia foi muito bom, por mais que não me lembre agora, e assim que o padre começou a falar, eu comecei a chorar.
E chorei até o fim da missa.
Quando me perguntaram, neguei que tinha sido por sua causa. Mas naquele domingo eu cheguei em casa com a certeza que ainda sentia sua falta.
75 dias após o 'Até Logo' eu me deixei levar. Desde Outubro, ou antes, não fala com você. Mas fico emotiva em datas especiais e não resisti: te mandei Feliz Natal. E sonhei com você naquela noite.
Então, comecei com tudo de novo.
O tempo passou, começamos a conversar de novo...
E 232 dias depois de me despedir e 529 depois de você ter se despedido...
529 dias desde o nosso último beijo e eu decidi te mandar uma mensagem para matar a saudade. Pena que a saudade (e a vontade) não se contenta em ser saciada uma vez a cada 500 dias. Nem uma vez por mês.
10 vezes em 137 dias. Nossa estatística de 2014.
Já o número de vezes que sonhei com você, não consigo contar...
Talvez, nesse tempo todo, nossos beijos ultrapassem em muito os dias que não te vejo. Mas a soma de todos eles, nesses 1412 dias, é diretamente proporcional à ninha saudade.
E uma coisa que aprendi com todos esses dias, desde o dia 03 de Dezembro de 2010, ou que talvez tenha aprendido hoje mesmo, é que, apesar de tudo, e mesmo que as coisas não funcionem como deveriam (ou como eu gostaria), não estou e nunca estive pronta pra dizer 'Até Logo'. Nem 'tchau', ou 'até mais', ou qualquer outra coisa. 'Até Logo' é o mecanismo que ativa minha saudade automaticamente. E saudade, "saudade a gente não responde, a gente mata." (parafraseando - roubando mesmo - do The Bro Code)

                                                                                                                          Yours, Bonnie

P.S.: Tô morrendo de saudade.
P.S.2.: Tô merecendo umas recompensas por todas contas feitas aqui.



C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore; 
Serait ce possible alors?

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1 comentários

  1. Tô pra dizer que matemática nunca me emocionou até ler esse texto hahahahaha. Mas posso dizer, não sem rancor, que a matemática que ensinou que todas as contas chegam a um fim. Às vezes é negativo, às vezes é positivo, às vezes ele é dividido (fração), e às vezes sobram tantas casas decimais que nem vale a pena continuar a pobre conta. Mas sempre, SEMPRE, SEM.PRE. aparece uma conta nova dando sopa por aí. Entendedores entenderão hahahaha. Amei o texto, parabéns!!!!

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